O texto lança questionamento sobre um evento aplaudidíssimo. Adequadamente sintético! J.Z.

blog da Raquel Rolnik

No último fim de semana, a população de São Paulo e do Rio de Janeiro contou com uma grande opção de atividades artísticas e culturais, graças à realização da Virada Cultural e do Viradão Carioca.

Em sua 8ª edição, o evento paulistano atraiu mais de 4 milhões de pessoas às 900 atrações espalhadas em mais de cem locais da cidade, a maior parte concentrada na região central. A programação da Virada Cultural começa sempre às 18h de sábado e termina às 18h de domingo, com programação ininterrupta e metrô aberto durante toda a madrugada para atender o público.

Já no Rio de Janeiro, cerca de 300 mil pessoas compareceram a um dos quatro palcos espalhados pela cidade para assistir a uma das 60 atrações programadas para a 4ª edição do Viradão Carioca. Foram dois palcos na Zona Sul – um em Copacabana, outro no Arpoador -, um na Zona Oeste…

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Regra 34

David Remnick, editor da New Yorker, disse certa vez que “a revista que publicamos toda semana reflete o que eu quero ler ou o que as pessoas à minha volta — este grupo de editores — considera impressionante ou profundo, ou engraçado, ou inteligente ou o que seja.”

É mais ou menos o que penso quando alimento este blog com as inutilidades que você está acostumado a ver.

Para mim, o blog é um monólogo interior. Uma caixa preta de impressões passageiras e algumas confissões. Ler blogs como este é acompanhar o fluxo de pensamentos de alguém; é a coisa mais próxima que temos de telepatia.

Ou, para citar mais explicitamente uma passagem do artigo de Mark Dery, autor que me foi apresentado por Gunter Axt (confesso que queria ter escrito isso):

“Os blogs são o equivalente pós-moderno do gabinete de curiosidades do período barroco — um aglomerado idiossincrático de objetos encontrados (ideias, imagens, fatos…

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Workshop de Interpretação Naturalista

Oficina Cultural Fred Navarro realiza atividade gratuita no próximo final de semana

Nos dias 05 e 06 de maio, sábado e domingo, a Oficina Cultural Fred Navarro receberá o Workshop de Interpretação Naturalista, coordenado por Mauro Junior. O intuito da atividade é focar o trabalho do ator e suas possibilidades criativas dentro do registro da interpretação naturalista no teatro, aliando o psicologismo e a racionalização stanislaviskiana à intensidade e entrega visceral artaudiana.

Sabe-se que o teatro oferece diversas opções de encenação; neste caso, os exercícios buscam a naturalidade da cena com intensidade corporal que seja adequada aos diferentes propósitos da personagem. O programa da atividade pretende mostrar aos participantes uma abordagem teórica e prática dos diferentes registros de interpretação, privilegiando o naturalista.

“O entendimento de uma interpretação naturalista tende a um equívoco, graças à formação cultural do brasileiro pelas telenovelas. Entretanto, o naturalismo amplamente conhecido não se compara a uma atuação no teatro”, diz Mauro Junior, coordenador do workshop. Graduado em Artes Cênicas com ênfase em Direção Teatral pela Universidade Federal de Ouro Preto, Mauro Junior é diretor, ator, iluminador e pesquisador teatral.

Com o workshop, pretende-se ampliar o entendimento do participante em relação à linguagem teatral contemporânea e pós-moderna, que tende a não ser apenas verbal, pois, além do texto, o teatro possui uma série de outros elementos: o ator, a iluminação, o cenário, entre outros. A atividade pode ser um valioso instrumento didático à atualização, ao conhecimento e aprimoramento técnico e estético dos atores, tanto para atender as exigências do mercado de trabalho quanto para aqueles que buscam formação para a prática teatral.

A oficina é direcionada para atores iniciantes ou com formação intermediária; diretores, atores, alunos de artes cênicas e demais interessados com vivência ou não no teatro a partir de 16 anos. A seleção será feita através de uma carta de interesse e o workshop é gratuito para todos os participantes.

 

SERVIÇO
WORKSHOP DE INTERPRETAÇÃO NATURALISTA
GRÁTIS
Dia 5/5 – sábado – 9h às 13h e 14h às 18h
Dia 6/5 – domingo – 10h às 14h
LOCAL: Oficina Cultural Fred Navarro
Rua Coronel Spínola de Castro, 5084 Imperial
São José do Rio Preto/SP
Informações: 3234 2405 | 3212 9235

Uma análise do espetáculo “Condenada!”

Durante o mês de abril, a Cia. Teatral Grupo de Apoio à Loucura – GAL – apresentou na Fábrica de Sonhos – Espaço de Arte o espetáculo “Condenada!”, baseado na obra de Tennessee Williams “Esta propriedade está condenada”.

O texto original fala sobre o encontro de suas crianças, Willie e Tom, nos trilhos do trem. A menina, Willie, tem treze anos. Durante a peça, Willie conta histórias de sua irmã Alva, relatando como herdou seus namorados e vestidos, depois de morrer com tuberculose. Amante de empregados da estação, Alva viu todos os namorados desaparecerem quando ficou doente. A garota projeta para si a vida de Alva, num desvio de personalidade que traz forçosamente a maturidade.

A montagem de Murilo Gussi e Suzan Del Rey propõe uma releitura da obra, baseada no registro psicológico de Willie. Com o início do espetáculo, vem à cena duas figuras espectrais, vestidas imundamente: roupas de festa já gastas, cabelos desgrenhados. A maquiagem deixa um quê de fantasmagórico. Os personagens, apresentados como duplo, possuem uma diferenciação mínima entre masculino e feminino: o garoto possui um bigode e fuma um cigarro. Até este ponto, o espetáculo ainda não mostra qualquer indicação da pouca idade dos personagens.

Em seguida, assistimos a um excerto de “A Dama das Camélias”, com Greta Garbo. Referência no texto original, a obra vem à cena nesta adaptação, mas pouco se relaciona com a dramaturgia e acaba por criar um aparte melodramático demasiado ilustrativo da encenação. A ausência de blecaute total mostra movimentações que não precisariam ficar às vistas do público, enquanto a lanterna de luz lead sugere uma atmosfera demasiada moderna para a estética do espetáculo.

Sobre as questões estéticas dessa montagem contemporânea, é possível notar o sentimento de apropriação dos intérpretes-criadores em relação ao texto e à cena. Mas, sem o olhar de um diretor que não participe da encenação, a obra acabou por deixar todo o texto em um único registro vocal e interpretativo, próximo ao doentio e psicologicamente perturbado. A falta de uma partitura cênica mais rígida também deixa em falta a sonoplastia, que ao invés de colaborar com a cena acaba por competir com a voz dos atores.

O espaço cênico foi criado em corredor, com arquibancadas em ambos os lados de um linóleo preto; nas extremidades, refletores ao chão. Uma das soluções cênicas pertinentes para as atuais necessidades de mobilidade foi a construção de diversos elementos da trama com base em desenhos feitos no linóleo com giz branco. Além de ser a única relação com o universo da criança, os desenhos de trilhos de trem, corações e caixas de bombom, bem como a referência à figura paterna, permitem a construção paulatina das imagens, de acordo com as necessidades de seu desenrolar.

O ritmo, tempo e duração do espetáculo são a tal ponto experimentais que os atores ainda não conseguiram definir a que vieram. Uma das soluções seria (re)pensar o tempo como construtor de uma poética, de maneira a servir à cena como forma e conteúdo que veicula sentido próprio, sensorial e intuitivo. Em virtude de todo o experimentalismo pretendido pelo GAL, vemos que o espetáculo ainda se encontra nos trilhos de uma busca por soluções cênicas e narrativas para desvendar Willie e seu autor.

Mês Beckett no Cinema – “Dias Felizes”

A Fábrica de Sonhos – Espaço de Arte inicia sua programação cultural nesta terça-feira dia 10 de abril, com uma mostra cinematográfica sobre Samuel Beckett. O primeiro filme a ser exibido será “Dias Felizes”. As exibições fazem parte da “Confraria do Filme”, projeto que visa estabelecer um diálogo entre o público e o cinema, por meio da amostragem de filmes de grande valoração artística e que pouco são mostrados no circuito convencional, e promove ainda um bate-papo ao final das exibições, visando pontuar aspectos importantes e relevantes das obras apresentadas. Os debates serão conduzidos por Milton Verderi, curador do projeto.

Dias Felizes (Happy Days. Irlanda, 2000, 77 min)

Direção: Patricia Rozema. Com: Rosaleen Linehan (Winnie) e Richard Johnson (Willie)

O cenário é um deserto, onde encontram-se apenas Winnie, mulher de meia-idade, ainda com certa beleza; Willie, um homem taciturno, que mora num buraco ao lado e de quem só vemos o pescoço, e uma misteriosa mala. A mulher tagarela sobre tudo – vida, esperança, passado, armas de fogo, poemas etc – com o tal homem, que parece não se importar com sua parceira. O filme torna-se praticamente um monólogo, a não ser pelos grunhidos ou respostas monossilábicas do homem. À medida que o tempo passa, a mulher passa a ser “engolida” pela terra, preocupando-se com o parceiro, de quem não ouve sequer a respiração.

Dias Felizes é uma adaptação do desafiante drama absurdo de Samuel Beckett, uma peça que poderia ser considerada impossível de ser filmada. Aderindo fielmente ao original minimalista de Beckett, a peça é composta de apenas dois personagens patéticos, que são uma paródia negra de amor, casamento e de nossa busca por um significado em um universo incompreensível. Uma mulher, Winnie, passa o tempo todo semienterrada em um monte de sujeira; a sua situação nunca é explicada, na maneira em que Beckett a expõe. O outro personagem, o marido, Willie, quase nunca é visto. A veterana dos palcos e telas de Dublin, Rosaleen Linehan, conduz excepcionalmente uma mulher vazias e apegada às rotinas arbitrárias e rituais da vida, sempre esperançosa de que “este será um dia feliz”.

SERVIÇO

Mês Beckett no Cinema
“Dias Felizes” – Dia 10/04 – 21h15
Ingressos a R$ 10,00 e R$ 5,00
Fábrica de Sonhos – Espaço de Arte
Rua Pedro Demonte, 136 – Jardim Alto Alegre (próximo a Unesp)
Telefones: (17) 3223-5736/3014-4058

Festival de Cinema Francês tem reprise no Cine Eldorado

O Cine Eldorado, em São José do Rio Preto, vai reprisar alguns dos filmes que passaram por lá durante o Festival de Cinema Francês. A partir de hoje teremos nova chance de ver (ou rever) filmes da filmografia francófona. Até quinta-feira, dia 12, passarão “O Pai dos Meus Filhos”, “Você e Eu”, “Xeque-Mate”, “A Culpa de Votaire”, “7 Anos”, “Vozes Silenciosas” e “Os Retornados”.

Confira a programação por data:

SEXTA – 6/4
17h30  O pai dos meus filhos
21h15 Você e eu
Sábado – 7/4
17h30 Xeque-Mate
21h15 A culpa de Voltaire
DOMINGO – 8/4
17h A culpa de Voltaire
21h15 Xeque-Mate
SEGUNDA – 9/4
21h15 Vozes silenciosas
TERÇA – 10/4
21h15 7 anos
QUARTA – 11/4
21h15 Você e eu
QUINTA – 12/4
21h15 Os retornados

Como algumas pessoas gostam de saber a sinopse, estilo do filme e tudo o mais ANTES de sair de casa, fiz uma seleção de material* de cada um dos filmes (segui a ordem de exibição):

 

O Pai dos Meus Filhos (Le Père de mes enfants. Alemanha/França, 2009).

Drama em cores. Duração 110’. Classificação etária 12 anos.

Grégoire Canvel tem tudo que deseja: uma esposa amada, três adoráveis filhos e uma profissão que é a sua paixão, ele é produtor de filmes. Entre um telefonema e outro, ele fuma um cigarro e tenta conciliar projetos difíceis, mas com determinação e carisma excepcionais, Grégoire multiplica admiradores. Tudo parece perfeito. Porém, sua prestigiosa empresa, a Moon Films, vacila. Com filmes produzidos demais, riscos demais, passivos demais, as ameaças se tornam realidade. Em meio a tudo isso, ainda precisa arranjar tempo para dedicar à família. Sua mulher o convence a passar o feriado na Itália, mas, ao voltar a Paris, Grégoire se depara com a situação mais difícil de sua carreira, e se vê ameaçado pelo cansaço.

Você e Eu (Toi et moi. França, 2006).

Comédia romântica em cores. Duração 90’. Classificação etária Livre.

Redatora de foto-novela para a revista “Você e Eu”, Ariane tende a escrever sua vida amorosa e a de sua irmã Lena, reinventando-as um pouco. No entanto, suas vidas não tem nada de novela: Ariane fica presa a Farid, que não se interessa por ela, e Lena está entediada com seu namorado, François. Mas e se Ariane se entregasse ao amor de Pablo, o belo operário que trabalha no prédio? E se Lena se apaixonasse por Mark, o violinista prodígio que acaba de conhecer? Entre realidade e foto-novela, as duas irmãs encontrarão por fim o grande amor?

Xeque-Mate (Joueuse. França, 2008).

Comédia dramática em Cores. Duração 100’. Classificação etária 14 anos.

Num vilarejo da Córsega, a vida de Hélène, moça apagada e discreta, é feita de dias que se seguem e se parecem iguais… Ela trabalha como faxineira num hotel e é aparentemente feliz com o marido, Ange, e sua filha de quinze anos, Lisa. Sua vida modesta e monótona parece não ter chance de mudar. Tudo muda porém no dia em que ela fica fascinada ao surpreender um jovem casal muito sedutor de americanos que jogam xadrez na varanda de seu quarto de hotel. No início intrigada e depois apaixonada por este jogo, Hélène mobiliza todos os recursos com obstinação para dominar as regras do xadrez até a perfeição.

A Culpa de Voltaire (La Faute à Voltaire. França, 2001).

Drama em Cores. Duração 130’. Classificação etária 16 anos.

Tal um Cândido sonhando em Eldorado, Jallel viaja clandestinamente para a França na esperança de refazer sua vida. Assim começa a história, com a lenta desilusão de Jallel… De encontros em encontros, de centros para desabrigados à associações, Jallel caminhará pela Paris dos excluidos, e, por não satisfazer seus sonhos de fortuna, descobrirá e compartilhará a solidariedade dos desafortunados.

Vozes Silenciosas (Qu’un seul tienne et les autres suivront. França, 2009).

Drama em Cores. Duração 119’. Classificação etária 14 anos.

Na sala de visitas de uma prisão francesa, a vida de um grupo de homens e mulheres se conecta por acaso através de destinos comuns. A mãe de um assassinado argelino, o sósia de um criminoso muito perigoso, a namorada de um jovem rebelde, um médico que finge cinismo e a irmã de um assassino têm uma hora para fazer as pazes com a vida. Cada um terá de assumir o próprio destino. Se um só conseguir ficar em pé, os outros também ficarão…

7 anos (7 ans. França, 2007).

Drama em Cores. Duração 86’. Classificação etária 14 anos.

Maïté é casada com Vincent, que acaba de ser condenado a 7 anos de prisão. O falatório agora é seu único espaço de intimidade. Duas vezes por semana, ela pega a roupa suja, lava, passa e traz de volta. Um ritual que executa com afinco e precisão. Um dia, um desconhecido a encontra ao sair da prisão. Ele se chama Jean, e a seduz. Ele se torna seu amante, mas ela não o deixará entrar em casa. Um dia, ela descobre que Jean é guarda na prisão e que Vincent é seu protegido. Entre a vontade e a culpa, entre o prazer e o dever, ela se sente aprisionada em um jogo a três do qual ninguém conhece as regras…

Os Retornados (Les Revenants. França, 2004).

Fantástico em Cores. Duração 110’. Classificação etária Livre.

Os mortos voltaram em massa. Milhares de pessoas falecidas deixaram os cemitérios e invadem as cidades do mundo inteiro. A pergunta que se faz então crucial é de como reinserir todos estes “retornados” na sociedade.

* As informações são do site Cinefrance.


SERVIÇO

Cine Eldorado

Rua Bernardino de Campos, 3680 Centro São José do Rio Preto/SP

Informações pelo (17) 3222-7578.

Um nordeste suspeitoso

Durante as comemorações do aniversário da cidade de São José do Rio Preto, recebemos a montagem do premiado diretor Sérgio Ferrara para o texto de Ariano Suassuna “O Casamento Suspeitoso”. Após cumprir temporada no Teatro do SESI da Avenida Paulista, em São Paulo, o espetáculo tem viajado pelo interior paulista.

São José do Rio Preto recebeu três sessões no final de semana do feriado prolongado de 19 de março: sábado às 17h e 20h e domingo às 18h. A sessão das 20h de sábado estava cheia, com o teatro mais lotado do que as costumeiras apresentações do local. Apesar de muitos aproveitarem o período para viajar, o público riopretense ainda privilegia nomes conhecidos, como do autor ou da famosa Suzana Alves, a (ex) Tiazinha, que mereceu destaque de primeira página no jornal local no sábado.

Com essa presença de público, poderíamos levantar algumas questões em relação ao hábito do público local em ir ao teatro. Embora se tratasse de uma apresentação inserida em um contexto especial (o aniversário da cidade), as estratégias de divulgação do espetáculo – bem como a entrada gratuita – continuam as mesmas de outras peças que por ali passam. O que faltaria, então, às outras montagens? Deixo a questão em aberto para reflexão…

“O Casamento Suspeitoso” é um texto de Ariano Suassuna com mais de 50 anos, ambientado na cidade de Taperoá. Um jovem, Geraldo (Joaz Campos), deseja se casar com Lúcia Renata (Suzana Alves), moça de Recife, que, para realizar o casamento, traz sua família para o interior da Paraíba. Todas as cenas acontecem na sala da casa de Dona Guida (Bete Dorgam), mãe do noivo que desconfia da índole da moça e não aceita a união. Com o intuito de atrapalhar o casamento, fazendo com que não se realize, os empregados da família, Cancão e Gaspar –interpretados por Marco Antônio Pâmio e o brilhante Rogério Brito, respectivamente – armam diversas situações e intrigas cômicas que dão sentido e dinâmica à trama.

Para receber o público, foram escolhidas canções representativas da cultura nordestina, reforçando a ambientação da montagem e, evidentemente, do quadro do Nordeste brasileiro retratado por Suassuna em suas obras, como o afamado “O Auto da Compadecida” (que se passa na mesma Taperoá). Embora a musicalidade esteja presente em diversas cenas, bem como um músico incorporado ao cenário (e não fica à margem deste), o espetáculo não chega a se tornar um musical, mas um teatro entrecortado e ilustrado por canções. Os atores, que cantam e tocam instrumentos, servem à dramaturgia falada e cantada de forma competente.

A apresentação cumpre bem seu papel de fazer rir, apesar de servir a mostrar um Nordeste caricato que reforça uma subcultura brasileira pautada no folclórico. As questões pertinentes à composição cômica, como o apelo aos baixos sentidos, como o sexo, garantem cenas divertidas ao público. Neste ponto, é necessário reconhecer que, de certa forma, o autor transporta – com certa competência – para um Brasil faminto as mazelas dos Zanni da commedia dell’arte.

Vimos que o diretor possui esmerada preocupação com o espetáculo, compondo cenas que obedecem a uma distribuição equilibrada do elenco por todo o palco. Mérito dele e do elenco em relação às composições dos personagens, destacando-se Nani de Oliveira (um homem) como a mãe da noiva, Susana. O que se vê são atores verdadeiramente profissionais, que buscam uma partitura corporal e vocal que servem competentemente à trama.

Com todas as ressalvas críticas sobre questões conceituais do espetáculo, a montagem é, para o grande público, uma excelente opção de entretenimento: risadas garantidas, uma comédia leve e bem feita. Resta saber se os artistas não se incomodam em reforçar traços de nossa cultura que deveríamos questionar.

Edital de Patrocínio – Correios

As inscrições para obtenção de patrocínio dos Correios para projetos culturais terminam no dia 1º de março. O edital está disponível no site dos Correios. (Clique Aqui)

A empresa está destinando cerca de R$10 milhões em patrocínio para os projetos que ocorrerem em suas unidades culturais: Centros Culturais Correios do Rio de Janeiro, de Recife e de Salvador; os Espaços Culturais Correios de Fortaleza e de Juiz de Fora e o Museu Nacional dos Correios em Brasília.

Os projetos estão sendo selecionados  para o período de julho de 2012 a março de 2013 e contemplam as áreas de Artes Cênicas – Dança e Teatro, Artes Visuais, Artes Integradas, Audiovisual, Humanidades e Música.

Desde 2004 os Correios utilizam editais públicos para a seleção de projetos com vistas à concessão de patrocínio. Esta prática foi adotada não apenas para atender às diretrizes governamentais, mas para conferir maior transparência à destinação dos recursos públicos, por meio de regras e critérios claros e objetivos para análise e seleção das propostas.

Com esses patrocínios, os Correios contribuem para a valorização e preservação da cultura brasileira, incentivando e fomentando as mais variadas formas de manifestação artística.

Fonte: Blog dos Correios

Fotos – Théâtre du Soleil

Conforme prometido, inicio uma série de posts registrando minha viagem à São Paulo para assisir à montagem do Théâtre du Soleil, “Os Náufragos da Louca Esperança”.

Como durante a semana o tempo é escasso, postei fotos do Sesc Belenzinho e da reprodução da Cartoucherie no Flickr. Não era permitido tirar fotos durante o espetáculo, mesmo sem flash. Portanto, isso foi o melhor que consegui!

Fiz fotos do lado externo da tenda, do camarim aberto ao público e do palco ao fim da apresentação. Algumas fotos de Ariane Mnouchkine foram feitas durante sua palestra, no dia 20/10.

Acesse o álbum hospedado no Flickr clicando aqui.

ESQUENTA: THÉÂTRE DU SOLEIL

Preciso deixar registrado que viajo para São Paulo para assistir ao espetáculo “Os Náufragos da Louca Esperança”, do Théâtre du Soleil. Em 2007, fui à futura unidade do Sesc Belenzinho, ainda em construção, para assisir “Les Éphémères” em uma apresentação integral de 7h30 de duração.

Naquele momento, a experiência de não só assistir a um espetáculo internacional, mas mergulhar em uma vivência que incluía ter visão dos camarins onde os atores se preparavam sem pudor de se mostrarem por inteiro. As refeições preparadas pela equipe do grupo francês incluia um cardápio pitoresco, limonada do deserto com torrões de açúcar (que eu só tinha visto nos desenhos) e um vai-e-vem de pessoas encantadas com aquele espetáculo…

Quatro anos depois, a oportunidade reaparece. Desta vez, com um novo espetáculo, ansiosamente esperado como o outro.

A nova montagem recebeu um site caprichado do SESC São Paulo. Delicioso passear por lá. Dica: Ao invés de usar o menu à esquerda, navegue através da barra de rolagem inferior. Você verá, por exemplo, que nenhum integrante da montagem ficou de fora na ficha técnica. Desde os criadores até quem cuida da pintura dos elementos cênicos ou faz os serviços administrativos.

Tenho certeza que será mais uma viagem maravilhosa por um dos grandes grupos teatrais da atualidade. Acompanhe comigo essa aventura!